As vaias e as reivindicações dos jovens

Nas esquinas históricas da Granja, muita gente tem mostrado preocupação e indignação pelo evento das VAIAS. Essas pessoas buscam, moralmente, julgar como ato crime a expressão popular. Isso é triste, pois nega o direto do granjense a exercer sua cidadania através da manifestar pública. Todos nós precisamos alimentar o corpo e espírito, mas ninguém é obrigado a engolir sapos e migalhas de pão que cai da mesa farta dos inescrupulosos, que pousam como donos da nação. O povo não tem dono. Nós não podemos nos deixar guiar por pessoas ou grupos de pessoas que usam a honestidade e o trabalho da nossa gente com cartões de créditos.

"O granjense é criador, agricultor, laborioso e especialmente artista. Não se encontra no povo um homem que não tenha um pequeno oficio; o que não é marceneiro, que é arte principal que caracteriza a industria do povo, é ferreiro, pedreiro, sapateiro ou ourives; cada qual tem em fim o seu oficio"
, escrever sobre nós o padre Vicente Martins, em 1912. Historicamente somos pessoas ricas na arte e trabalhadores. É bem verdade, pois, numa cidade onde os postos de emprego são inexistes, não deixamos a peteca cair. Vende-se picolé, pastel, milho e feijão ou monta-se barraca de na praça, mas não ficamos parados. Porém isso é pouco, pouquíssimo para o mundo de hoje. Estamos na era da informação, onde o capital é o conhecimento, não unicamente o dinheiro. As vaias, que não foram organizadas, provam que o granjense que de volta a glória e seu respeito dentro do Estado.

O granjense que se prece, sabe muito bem que nossa cidade já foi conhecida mundial pelo seu potencial econômico e, antigamente, só dava Granja no Estado do Ceará. Aqui já se ensinou inglês, francês, piano, violino e tínhamos vários jornais. Éramos respeito por nossa diversidade cultural. E Hoje? Agora te pergunto oh granjense. O que tu tens? Ruas esburacadas, jovens desempregados e usando crack e IDH baixo não contam!

Os jovens granjenses não mais querem ser rejeitados, humilhados social e politicamente. Nós jovens queremos e precisamos de espaços para a cidadania, a cultura, o lazer e ao trabalho digno e honesto, como manda o Estatuto da Criança e do Adolescente. Queremos ter acesso às criações e aplicações de políticas públicas e canais de dialogo, no sentido de construímos uma cidade que seja motiva de orgulho e não motivo de piadas.

Os jovens não querem se deixar escravizar por mentes miúdas. Querem fazer dowload da qualificação para o mercado de trabalho e da vida social e política decente, sem roubalheira. Ou será que as poucas pessoas que julgam, erroneamente, as vaias como ato de canalhismo não acessam internet. Meu povo! Vivemos na sociedade contemporânea informacional, onde o conhecimento e a informação não se prendem aos limites geográficos. Um povo que consente não tem a mesma força de um povo que grita a dor do descontente.

Lyhar Durat, Granja-Ce, 22-05-2008

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