A HISTÓRIA DE UM LEPROSO MILAGROSO




O LEPROSO 1978


Poeta:João Carneiro Filho (in memorian)

Divino Deus de bondade
Inspirai ao Carneiro
Para escrever esta história
E mostrar ao cavalheiro
Quanto Deus é poderoso
No globo do mundo inteiro

A história que se segue
Não é romance inventado
É um fato verdadeiro
Que provarei ter se dado
É de um pobre leproso
Pelo povo desprezado

Este leproso citado
Que por Deus recebe a sorte
É um pobre sofredor
Do Rio Grande do Norte
Que nasceu para ser marte.
Já trouxe seu passaporte.

Ecídio Lucas de Lima
Este é o nome seu
No Rio Grande do Norte
Lá este infeliz nasceu
Saiu correndo o mundo
Muitos martírios sofreu

Destacou de sua terra
Entrou para o Maranhão
Atravessando o Ceará
E seguindo em direção
Atravessa o Piauí
Com muita satisfação

Referente a sua vida
Eu dou somente um roteiro
Não sei se este casou
Ou se era o mesmo solteiro
Apenas com 49 anos
Morreu este brasileiro

Sua cor era morena
De 3 mortes criminosas
Tudo indica que este moço
Foi um homem perigoso
Mas quem espera por Deus
Sempre é vitorioso

Segundo diz sua história
Tinha ele mau coração
Diz que matou um soldado
No estado do Maranhão
Também não sei o motivo
E se tinha razão

A data do nascimento
Deste pobre penitente
Segundo seu documento
Eu cito perfeitamente
A 12 de Junho de 24
Nasceu este pobre entre
E dentro desta idade
Muitos tormentos sofreu
Com certeza gozou muito
Dirigindo os passos seus
Foi vitima de sofrimento
A sorte que Deus lhe deu

Porém em suas viagens
Tudo lhe era possível
Chegou pegar uma lepra
Uma doença terrível
Ou que fosse um feitiço
Que a este fosse cabível

Sabemos que a doença
Crescia de mais a mais
Forte lepra pelo corpo
E o pobre dando ais
Sem haver quem lhe tratasse
Quem lhe curasse jamais

A doença acabrunhou-o
Que o pobre penitente
Não encontrou remédio
Que fosse suficiente
Para curá-lo de vez
E sempre de mais doente

A doença furiosa
De mais a mais atacando
E o pobre sofredor
Sempre, sempre caminhando
Rompendo longas estradas
Sua vida lamentando
Este vendo que morria
Resolveu então voltar
A sua terra natal
Para lá se sepultar
Mas a doença aumentando
Não conseguiu lá chegar.

Porém em sua viagem
Leproso e muito doente
No estado do Ceará
Viajava a penitente
E na cidade de Granja
Lá chegou infelizmente

E quando chegou em Granja
Foi muito bem recebido
Pelo prefeito local
Um moço bem conhecido
Sr. Luiz Oliveira
Por ser pai dos desvalidos

Porque o prefeito bom
Que conhece seu dever
Quando chega um desvalido
É obrigado acolher
Em sua boa cidade
E a caridade fazer

Pois quando a doença é feia
Como este era leproso
Arrumasse uma choupana
Para da o seu repouso
Pagasse a uma sentinela
Pois nada era custoso
Pois cada um habitante
Daquela mesma cidade
Ou mesmo algum passageiro
Lhe faziam a caridade
Até que chegasse o dia
De ir à eternidade

Porém aquele Prefeito
Não cumpriu sua obrigação
Mandou levar o leproso
Na caçamba ou caminhão
Pertencente o prefeito
Como quem faz com um cão

Não lembrou-se de S. Lázaro
Também foi um desvalido
Era expulso pelos ricos
Mas, foi por Deus acolhido
E de todos seus pecados
Este foi absorvido

Porém aquele prefeito
Tudo isso desconhece
Pois quem sempre se orgulha
Se de Deus se esquece
Mas um dia Deus se lembra
E o castigo lhe oferece

Porém na santa escritura
Nesta escriturado está
Que é mais difícil um camelo
No fundo de uma agulha entrar
Do que um rico orgulhoso
No reino de Deus chegar
Mas este Prefeito
Pensou tudo diferente
Dentro de sua caçamba
Foi jogado o penitente
E para a família carneiro
Mandou deixar de presente

Debaixo de uma oiticica
No pátio de Quintino Carneiro
Foi jogado o penitente
Pelo grupo desordeiro
Deixando lá no relento
No sol e no aguaceiro

O inverno estava forte
E ninguém lhe dava o pão
Pra casa de Zé Arteiro
Moço de bom coração
Aquele pobre leproso
Viajou de arrastão

Este mesmo Zé Arteiro
É um estabelecido
Lá na margem da estrada
Um moço bem conhecido
Lá este passou 3 dias
Pelo mesmo protegido

No quarto dia arrastou-se
Saindo de Zé Arteiro
Foi cair a pobre vitima
No seu ponto derradeiro
Vizinho à casa de um cunhado
Do poeta João Carneiro
O Sr. Valdemar Carneiro
Por ter um bom coração
Com sua esposa Adélia
O poeta é seu irmão
Estes mandavam deixar
Para o leproso o seu pão

O Sr. José Maria
De Granja é o vigário
Passando lá no seu carro
E vendo o pobre precário
Reuniu umas esmolas
Para lhe dar o necessário

Depositou as esmolas
Em mão de José Arteiro
Pedindo que construísse
Um casebre bem ligeiro
Pra colocar o leproso
Livrando do aguaceiro

O Sr. José Arteiro
Logo o casebre empreitou
Pagando só 6 cruzeiros
E com o resto ficou
Segundo me informaram
E lá nem uma vez pisou

Do Rio Grande do Norte
Passa ali um cidadão
E falando com o leproso
Conheceu que era irmão
Disse: vou deixar-lhe uma esmola
Para sua rede então
Chegando no Zé Arteiro
Deixa a importância citada
Para o mesmo comprar a rede
Disse: Mande sem maçada
E Zé Arteiro mandou-lhe
Foi uma rede rasgada

Afinal o pobre homem
Ali 27 dias passou
Por Valdemar e João Neto
Seu pão nunca lhe faltou
E de a 21 de Janeiro de 73
O pobrezinho expirou

Morreu o mesmo sem vela
Porém Deus lhe protegeu
E todos seus pecados
Ele se arrependeu

Mas ao queimar seu casebre
O mesmo foi sepultado
Por Chico Doca e João Neto
Que estavam sempre a seu lado
Benedito Chico, Raimundo Gerônimo
E Raimundo Sirino falado

Foi visitado sua cova
Foi colocado uma cruz
Na mesma já deixam fitas
Com o poder de Jesus
Esta alma é milagrosa
Vai ser um anjo de luz


O Sr. Luiz Oliveira
Ainda vai ao local
Pagar a sua promessa
Por seu pecado brutal
Pra com a família Carneiro
Não querer fazer mal.

FIM
Poeta:João Carneiro Filho (in memorian)

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