Um judas na Ubatuba de Miranda


A pequena rua Ubatuba de Miranda acordou, hoje, com um novo morador. Trajando camisa de mangas longas, calça jeans e sapatos esportivos, mas sem malas, sem casa, sem uma moeda no bolso e tão pouco familiares, o novato chamava a atenção por está com a corda no pescoço. A criançada, ao ver tal figura espichada em uma forca improvisada paralela à cerca do quintal da dona Raimunda Cândida, tratou de espalhar a noticia de que no cair da tarde haveria a brincadeira de judas, ou matança do judas, como ouvi alguém falar!


Ainda na manhã, levei minha filha para conhecer o novo morador da Ubatuba, o judas Iscariotes, nosso vizinho temporário. Expliquei de que eram feitos seus ossos, carne e couro. E  o autor da brincadeira era o amigo Joaquim Neto, carinhosamente conhecido com Nego, que todos os anos confecciona e enforca o judas. Tiramos fotos do cabra para postar em alguma rede social na internet, dessas que os amigos enviam convites aos montes para participarmos.


Por volta do meio-dia, Nego percorreu as ruas vizinhas em sua bicicleta com uma caixa de som amarrada na garupa anunciando a malhação do traidor de Cristo. Depois de passar todo dia com a corda no pescoço, judas ainda levou uma surra de pau da molecada no fim da tarde.


Nos tempos de criança, e não faz muito tempo, eu ouvia falar mais do judas, principalmente quando se desejava alertar que fulano era coxinhatraíra, dedo duro, X9, entregão (É o novo!) das travessuras dos companheiros. Hoje a brincadeira da malhação de judas está ficando cada vez mais rara, assim com outras manifestações culturais da nossa cidade. Joaquim merece nossos parabéns por manter a malhação de judas e aguçar o imaginário da criançada com a força da cultura popular.

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