A Páscoa: caminho de preparação para a Ressurreição do Senhor

ilustração/jornadamadri.blogspot.com
Nestes quarenta dias que formam a Quaresma, que se estende desde a Quarta-Feira de Cinzas até a Semana Santa, percorre-se o caminho de preparação para a Páscoa da Ressurreição do Senhor. É tempo de vigilância e penitência, de corrigirmos o nosso modo de vida que muitas vezes ofendem a Deus, pelos inúmeros pecados que cometemos e que sempre se apresentam em nossa vida com as suas sete capas sedutoras, que nos encantam atraindo-nos para o engodo que nos prende em sua armadilha, tornando-nos cativos, impedindo-nos de crescermos na fé, na esperança e no amor de Jesus. Então, vamos nos reconciliar com Deus e com os irmãos, trilhando o caminho da conversão, atentos ao Evangelho e aprendendo as lições da Igreja Católica, Mãe e Mestra, que seguindo fielmente ao mesmo Evangelho, nos convida às três grandes práticas quaresmais: caridade, oração e jejum e nos propõe a Campanha da Fraternidade, levando-nos a refletir sobre o tema: “Fraternidade e vida no planeta” e sobre o lema: “A criação geme em dores de parto”.

Tem lógica tal preocupação, e a Igreja faz este alerta porque não estamos sabendo administrar os recursos naturais, esta obra magnífica que Deus criou para nós e que merece todo o zelo e cuidado de nossa parte. Na ânsia desenfreada por lucros cada vez maiores, estamos poluindo os nossos mananciais, devastando florestas, emporcalhando o subsolo e os mares, dizimando cardumes, envenenando o ar que respiramos, provocando o desequilíbrio ecológico, efeito estufa e aquecimento global, alterando o clima da terra, ameaçando a vida, e como conseqüência desta Torre de Babel que construímos surgem enchentes, secas, terremotos e tsunamis de efeitos catastróficos cada vez maiores. Neste tempo de conversão, podemos procurar um sacerdote e confessar os nossos pecados. Mas alguém poderá querer se justificar, saindo-se com uma frase muito em moda: “eu não me confesso com um padre que também é pecador. Confesso-me diretamente com Deus”. Esta frase é muito repetida e ensinada por Pastores Evangélicos os quais, por incoerência, escondem uma passagem importante do Evangelho que jamais poderá ser omitida, mas sim anunciada.

Foi o próprio Senhor Ressuscitado quem instituiu o Sacramento da Reconciliação ou da Penitência e o Sacramento da Ordem, assim descrito pelo Evangelista João: Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus, Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: “A paz esteja convosco!” Dito isto mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Disse-lhes outra vez: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.” Depois destas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos. Os padres, por ocasião da ordenação, são ungidos pelo Espírito Santo e são revestidos da graça de perdoar os pecados em nome do Senhor Jesus. As pessoas de boa-vontade podem conferir em Jo 20, 19-23. Deste modo vamos, de coração sincero, pedir ao Pai que sopre o Espírito Santo sobre nós e nos dê a graça da fé, a vivência do amor e da verdadeira conversão, obedecendo ao mandamento de Nossa Senhora: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2,5) e seguindo o exemplo de todos os Santos, estes luzeiros benditos que celebrando a Páscoa da Ressurreição do Senhor, chegaram a sacrificar sua própria vida por amor ao Senhor Jesus.

Diante das dificuldades da vida de cristãos que deve ser de fé, de renúncia à nossa própria vida, para tomarmos a nossa cruz e seguir Jesus, muitas vezes ficamos desanimados com vontade de seguir o caminho mais fácil. Mas o testemunho dos santos nos dá alento, sendo um modelo de fé e de perseverança que deve ser imitado. Por isso os veneramos e os temos como eternos missionários da Palavra de Deus, que nos leva juntos com uma multidão de romeiros peregrinos à Igreja aos Domingos e na festa do/a Santo/a Padroeiro/a. Vendo esta multidão, alguns irmãos que não vivenciam o Mistério da Fé Apostólica dizem que vamos adorar os santos, acusando-nos de idólatras, ignorando que é na Santa Missa, aonde na mesa da Palavra e da Eucaristia, Deus nos fala e nós escutamos a sua Palavra e adoramos o Senhor Jesus em corpo, sangue, alma e divindade, que se faz presente no Pão e no Vinho consagrados.

Vamos rezar e oferecer estas orações em agradecimento ao Pai Criador, pelo precioso Dom da Vida e por todos os dons que Ele nos concede gratuitamente e pedir a Deus que aumente a nossa fé e que vivamos no amor de Cristo que é a nossa Esperança, a nossa Salvação, a nossa Páscoa. Sejamos também solidários, fraternos e rezemos pelas almas do purgatório, pela perseverança dos justos, pela santificação do Clero e pela conversão dos pecadores. Feliz Páscoa!

Antônio Alfredo Coelho Beviláqua
Leigo Católico

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