domingo, 21 de maio de 2017

A arte de fazer sacas de palha na Vereda dos Júlios

Em minhas andanças por Granja, tive o prazer de conhecer dona Luíza na comunidade Vereda dos Júlios, uma artesã exemplar. Na oportunidade ela mostrou o processo de fazer sacas com palha da carnaúba. Uma arte que resiste nas mãos habilidosas de dona Luíza em um mundo industrializado.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Morreu o granjense José Porfírio de Carvalho, um herói brasileiro

Faleceu, aos 70 anos, José Porfírio de Carvalho. José Porfírio Fontenele de Carvalho, nasceu em Granja-CE (1946), é considerado um dos maiores indigenistas do país. Ele ingressou nos quadros da Fundação Nacional do Índio (Funai) logo após a criação do órgão, em 1967, o que o levou a quase meio século de intensa atividade, firmando-o como um dos principais nomes da história do indigenismo no país. O antropólogo e ex-presidente da Funai Mércio Gomes escreveu que Carvalho "foi, sem desmerecer outras grandes figuras, o maior indigenista rondoniano de sua geração".

Conheça mais sobre José Porfírio Fontenele de Carvalho através desse belo depoimento de Mércio Gomes, publicado em seu perfil em rede social (https://www.facebook.com/merciogomes/posts/10212336224191932):

"Carvalho, um herói brasileiro
Quem acha que o Brasil é um pobre e desgraçado país de gente sem fé, sem fibra moral e sem destemor é porque não conheceu um dos mais ilustres representantes deste país, José Porfírio Fontenelle de Carvalho, um cearense-piauiense-brasiliense que, neste sábado (13 de maio), nos deixou depois de uma vida intensa, trabalhosa, combativa, cheia de ousadias, correta e, sobretudo, fértil e engrandecedora. Dedicada e produtiva sobretudo para com os povos indígenas com quem ele conviveu, e foram muitos, de todas as partes do Brasil, e à causa indígena pela qual ele nunca perdeu a fé e convicção histórica que o moviam.
Este ano Carvalho faria 50 anos de dedicação à causa indígena. Tendo começado como um simples técnico em contabilidade no Serviço de Proteção aos Índios, em 1967, Carvalho conheceu Francisco Meirelles, numa das suas visitas de fiscalização ao posto de atração dos índios Cintas-Largas, em Rondônia, e sentiu aí um arrebatador chamamento para trabalhar pelos índios, por sua defesa, por sua segurança territorial, por sua integridade humana, por seu futuro. E nunca, em momento algum de sua vida atribulada de indigenista, deixou uma tarefa indigenista a ser cumprida, um índio abandonado à própria sorte, um colega indigenista perdido em suas dúvidas, um presidente da Funai sem uma séria e crítica palavra de orientação.
Carvalho foi, sem desmerecer outras grandes figuras, o maior indigenista rondoniano de sua geração. A terceira geração, se contarmos a primeira como aquela que criou o SPI, em 1910, com o Marechal Rondon, José Vasconcellos, Alípio Bandeira, Pimentel Barbosa, Teófilo Cavalcanti; a segunda, a partir da década de 1940, como sendo a de Francisco Meirelles, Orlando, Claudio e Leonardo Villas-Boas, Darcy Ribeiro e Gilberto Pinto; e agora esta terceira, desde 1968, formada por indigenistas que entraram nos primeiros anos da FUNAI, sob o comando dos militares, a quem essa geração tão bravamente encarou e não vacilou em momento algum, sob pena de perder emprego e ser perseguido, para ajudar aos povos indígenas a se manterem hígidos em seus corpos e em suas almas, e com terras demarcadas. E que geração! Gente como Xará (Ezequias Heringer Filho), Apoena Meirelles, Dinarte Madeiro, Toninho (Antonio Pereira Neto), Aimoré Cunha, só para citar alguns que não estão mais conosco.
As três gerações de indigenistas brasileiros de origem republicana e inspirados nas ideias e sentimentos do Marechal Rondon deixaram um legado de lutas, dedicação ímpar, quase heroica, sacrificada pessoalmente, e alguns importantes resultados. Terras: 13 por cento do território brasileiro estão demarcados como terras indígenas. Demografia: desde os anos 1960 os povos indígenas vêm crescendo em população e hoje somam mais de seis vezes o que eram na década de 1950, cerca de 700.000. Identidade étnica: apesar das fortes pressões e das atrações insidiosas da sociedade de consumo brasileira, mais de 240 etnias permanecem indígenas em identidade e em cultura.
Terras, demografia e identidade são os três pilares da ação indigenista praticada no Brasil. Carvalho foi fundamental na realização dessas tarefas para dezenas de povos indígenas. Um breve rascunho, a ser completado com mais cuidado, de suas ações podem ser vistas neste momento apenas pela memória de alguém que foi seu amigo leal e admirador incondicional: 
1. Demarcação de cinco terras indígenas dos Guajajara (1976-1980)
2. Demarcação de três terras indígenas dos Canela (1976-1980)
3. Demarcação ao longo dos anos de diversas terras indígenas dos Krikati, Gavião-Pukobye, Parakanã, Asurini do Trocará, Waimiri-Atroari.
4. Contribuição fundamental para a reunificação, ou re-etnização, de diversos povos indígenas no Acre, cujos indivíduos viviam espalhados em seringais, fazendas e arrabaldes (1975-1977)

Carvalho deixou sua marca de indigenista e sua influência moral em diversas partes do Brasil por onde trabalhou. Os índios sabiam que podiam confiar nele, e o sabiam por claras razões de trabalho, lealdade e cumprimento do dever. Os colegas indigenistas conheciam o seu caráter moral inabalável, e lhe reconheceram a liderança ao elegerem-no presidente da Sociedade Brasileira de Indigenismo (SBI), em 1979, que surgiu no crucial período dos “coronéis” que presidiam a FUNAI e que tencionavam realizar na prática a retirada da responsabilidade do Estado pela questão indígena – algo que estamos vendo ressurgir por esses dias. Em razão de sua militância pelo indigenismo, como de resto a militância de outros colegas, Carvalho e diversos indigenistas foram demitidos pela FUNAI. Na primeira oportunidade de anistia ou de abertura, nenhum deles hesitou em regressar aos quadros do órgão, pois a esperança de dias melhores para os índios não desvaneceu de seus corações.
Carvalho nos deixa em consequência de um câncer que primeiro o acometeu em 1984, que dele se curou sem nunca sentir medo da morte, e por isso viveu mais uns bons 33 anos cheios de vivacidade e esperança, carregado com uma capacidade obstinada de lutar pelo que achava valoroso e digno para os índios e para o Brasil.
Por isso ele é digno de ser um herói brasileiro.
Aos amigos fica a saudade e o exemplo sempre a nos iluminar; à sua esposa, Maria José, seus filhos queridos Maria José, Jonas, Janete e Porfírio, resta-nos nos consolarmos juntos pelo tanto que ele nos deu de amor, solidariedade, inteligência, dedicação e paz."  
Mércio Gomes 


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Granja sacrifica pobres para pagar "surpersalário"

Granja está entre as primeiras cidades cearenses no Mapa de Extremo Pobreza, as comunidades vivem abandonadas, ainda temos centenas de casas de taipas em condições desumanas. Triste! Uma realidade que a publicidade da administração tenta esconder a todo custo.

Para piorar o drama, os granjenses acordaram com a notícia de que a prefeita ganha mais que o Governador do Estado e seu tio ganha 15 mil por mês como procurador do município, segundo reportagem do blog Camocim Online. Agora fica a pergunta: como Granja sacrifica pobres para pagar "surpersalário"?






segunda-feira, 1 de maio de 2017

Em Granja moradores fazem campanha para levantar casa destruída durante alagamentos

Olá, querida(as) leitores(as)!

Tenho um convite especial para você. Sei que você irá aceitar!

Estamos realizando uma campanha solidária para construir a casa da dona Margarida, moradora do Vila da Cachoeira, bairro São Pedro, Granja-CE.

A casa da família de D. Margarida foi destruída durante os alagamentos ocorridos na cidade no início do mês de abril (veja reportagem aqui). Sem condições financeiras para construir uma casa nova a família não tem onde morar. Na época do alagamento a Defesa Civil esteve no local, mas, segundo informações da dona de casa e dos vizinhos, até o momento nada foi feito. Comovidos com a situação e cansados de esperar os moradores decidiram fazer uma campanha para arrecadar material de construção. Os moradores estão dispostos a ajudar com mutirões, porém falta o material.

Eu estou participando dessa campanha e peço sua DOAÇÃO!


Através do facebook, uma ex-aluna e vizinha da D. Margarida mim chamou para ver a situação da família e começar uma campanha nos blogs e redes sociais. Fiquei comovido com a situação, acredito no bom coração do povo e com fé em Deus vamos construir a casa que tanto necessita D. Margarida e seus filhos.


Cada um pode ajudar com o que tem. Espero sua doação!

O exemplo de D. Irene

No final do ano passado (2016), realizamos uma campanha para construir a casa de D. Irene (veja aqui), a campanha foi uma maravilha, em menos de três meses D. Irene e família estava felizes numa casa nova e bonita. Tudo graças ao seu apoio leitor(a) amigo(a)! VÍDEO

O que DOAR?

Cimento, arreia, brita, tijolos, telhas, ferro, material elétrico, são os materiais de maior necessidade agora no inicio das obras.

COMO doar?

Para doações e mais informações entrar em contato com:

  • Professor Lira Dutra - (88) 9 9942 0938 - liradutra@gmail.com - Facebook: Lira Dutra
  • Vizinha de D. Margarida, Lucia - (88) 99622-1153
  • Filha de D. Margarida, Shirley - (88) 99723 5170

Onde fica?

Comunidade Cachoeira, São Pedro, Granja-CE. Veja no mapa: https://goo.gl/maps/hsojWmkj43y