11 de jul de 2010

Projeto com agricultores granjenses é destaque no Ceará

Materia no Jornal Diário do Nordeste destaca resultados de projeto de cultivo protegido com agricultores familiares na comunidade de Iapara e Vaquejador, Granja/CE. Veja a materia abaixo extraída da página eletrônica do Diario do Nordeste [http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=810613].

Cultivo protegido usa fontes de energia solar

Granja. Um projeto piloto implantado nas comunidades de Iapara e Vaquejador, zona rural deste Município na Zona Norte do Estado, vem beneficiando seis famílias com o cultivo protegido e energia solar. A experiência inédita é uma iniciativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA), em parceria com a Coordenadoria de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e do Instituto Agropólos.

Desde novembro do ano passado, esses pequenos agricultores estão produzindo alimentos de qualidade dentro dos procedimentos agroecológicos, utilizando energia renovável, garantindo segurança alimentar e melhoria de renda nas famílias.

Dentre as culturas, como milhão, feijão, jerimum e pepino, existem as frutíferas: manga, maracujá, ata, goiaba, laranja e tangerina. A comercialização desses produtos está sendo garantida por meio de uma parceria com a Secretaria de Agricultura do Município, além da inclusão na merenda escolar.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Ematerce e que acompanha o projeto, José Maurício Magalhães, outros oito municípios em regiões diferentes também utilizam a energia solar para produzir alimento familiar. "A gente se candidatou a uma dessas comunidades, trouxe os técnicos aqui, para discutirem com a comunidade e conhecerem qual a área a ser utilizada como produtiva no projeto", explica Magalhães.

O Projeto Cultivo Protegido e Energia Solar funciona com uma mão-de-obra totalmente comunitária, que busca, por meio das teorias repassadas pelos técnicos da Ematerce, como aproveitar a energia solar para plantarem hortaliças orgânicas. "Os resultados contemplam geração de renda, preservação do meio ambiente e, é claro, alimentos saborosos na mesa da população local. Nesse primeiro momento o que eles produzem já serve como alimento e, futuramente, uma renda extra", explica José Maurício.

Atualmente, essas hortaliças são adquiridas pelos moradores das comunidades envolvidas no projeto, mas o excedente da produção deverá ser comercializado no mercado local, que deverá ganhar espaço na Central de Abastecimento da cidade. "A Prefeitura já garantiu um espaço no Mercado Central com bancas e barracas padronizadas", comentou José Maurício.

Irrigação

A irrigação é feita a partir de uma base montada no Rio Coreaú, numa área de dois hectares. Com investimento de R$ 45 mil, foram instaladas nove placas voltadas para a captação de energia solar. O painel solar produz energia limpa, que aciona uma eletrobomba, adquirida com parte do recurso, pela qual a água é distribuída por gotejamento e pelo método conhecido como Santemo (imersão em suspensão), chegando até as plantações. Também foi construído um galpão coberto por tela (estufa) e uma caixa d´água.

Para o agricultor Antônio Francisco de Paulo, o melhor de tudo é que o projeto já vem apresentando resultado satisfatório. "Não dá ainda para pensar em viver só com o que é produzido aqui, mas com as facilidades que estou encontrando já sonho com um futuro melhor", disse ele, que se mostra bastante familiarizado com as orientações dadas pelos técnicos da Ematerce.

Quem também está apostando no êxito do projeto é o agricultor Benedito Francisco de Moura, apesar de ver a primeira safra de tomate não ter sido boa, devido aos fungos que prejudicaram a primeira colheita. "O grupo está bastante unido e não só eu, mas todos aqui estão acreditando no projeto, principalmente porque não se usa nenhum tipo de veneno", disse.

ENQUETE
Quais as melhorias?

AntÔnio Francisco de Paulo
57 ANOS
Agricultor
Já mudou muita coisa. Aquilo que a gente ainda não sabia, com ajuda dos técnicos estamos descobrindo novas práticas

Francisco Viana Ribeiro
24 ANOS
Agricultor
No começo estava meio desanimado, mas agora é possível acreditar que tudo vai dar certo no nosso trabalho

MAIS INFORMAÇÕES
Escritório da Ematerce
Município de Granja
Rua Conrado Porto, S/N, Centro
(88) 3624.1379

VANTAGENS

Maior viabilidade técnica e econômica

Granja. O cultivo protegido é uma das alternativas de maior viabilidade técnica e econômica para aumentar a produtividade de hortícolas e reduzir a aplicação de defensivos agrícolas. O Ceará está apostando na exportação. O modelo já é uma realidade em várias partes do Estado. Há 50 hectares com hortaliças e outros 50 hectares com flores. Produtores de tomate da Serra da Ibiapaba, no Estado do Ceará, também estão adotando essa tecnologia para aumentar a produtividade e a rentabilidade do cultivo de tomate.

Daqui a cinco anos, o Ceará pretende exportar para a Europa hortaliças produzidas sob cultivo protegido, o sistema pelo qual a plantação é feita, por exemplo, em estufas de plástico. Mas é, ainda, muito incipiente. Para alçar o voo internacional, o Governo projeta 1 mil hectares de cultivo protegido no médio prazo.

Área plantada

Segundo dados do Instituto Agropólos, a área total plantada na Serra da Ibiapaba chega a 500 hectares para o tomate e 400 hectares para o pimentão. Atualmente, 37 produtores da região já utilizam a técnica de cultivo protegido para o tomate e o pimentão, totalizando 38 hectares de tomate e sete hectares de pimentão.

No tomate, a produção utilizando essa tecnologia é de 120 toneladas por hectare.

A descoberta da técnica pelo Estado não é de agora. No ano, de 2000 aconteceu o primeiro seminário de cultivo protegido em Tianguá, na Ibiapaba. A Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) e a Empresa de Assistência Técnica e de Extensão Rural (Ematerce) já investem no modelo em projetos de assentamento.

Além dos fatores climáticos, é preciso considerar, também, o estado nutricional das plantas na estufa e a sua maior densidade, o que pode propiciar condições mais favoráveis aos patógenos e/ou predispor as plantas à infecção.

Por outro lado, muitas doenças em cultivo protegido tendem a se tornar mais severas que em cultivo convencional.

Renda

"Nesse momento o que eles produzem já serve como alimento e, futuramente, uma renda extra"
José Maurício
Engenheiro agrônomo da Ematerce

Wilson Gomes
Colaborador

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